quinta-feira, 7 de agosto de 2008

ao mui nobre marquês de carabás


Venho por meio desta lhe falar de gratidão. Honestamente, não espero que você saiba o que isso signifique. Se ainda lembras que formei tua glória, peço que me escute. Voltei a caçar ratos, daqueles que em outrora eu caçava por diversão. Teu irmão não deu sorte com o burro. Tampouco o outro. Ateei fogo ao moinho depois de me negarem abrigo. Ora, justo a mim, tão fiel a teu pai até seu último suspiro, sempre onipresente, mais do que qualquer um. Me deviam respeito, os três. Soube que vossa majestade, o Rei, perdeu a pouca dignidade que lhe restava em Passaraguá e tu assumistes o trono, meus sinceros votos de contentamento. E para chegar logo ao objetivo da carta sem muito mais delongas, gostaria de um par novo de botas, de preferência Prada, adorei a nova coleção envernizada. Você tem dois dias e uma manhã, não se esqueça que eu detesto prata, ou qualquer outro tom acizentado. E agora sim,
GRATO, o gato de botas